Os fãs de anime estão vivendo uma época de redescoberta. Dezenas de clássicos dos anos 1970 a 1990 estão voltando com animação moderna, roteiros refinados e dublagens de qualidade — e muitos já estão disponíveis na Crunchyroll. Entre os mais aguardados estão os remakes de Urusei Yatsura (2022), Ranma ½ (2024) e o próximo Yaiba: Samurai Legend, produzido pelo Wit Studio, estúdio por trás de Attack on Titan. Mas o que realmente chama atenção é como essas reimaginações não são só atualizações técnicas: elas resgatam histórias profundas, muitas delas enraizadas em contextos históricos reais, e as entregam a uma nova geração que nem sabia que existiam.
Clássicos que voltaram com alma e tecnologia
Space Battleship Yamato 2199, lançado entre 2012 e 2020, foi um marco. Reimaginando o anime de 1974 criado por Leiji Matsumoto e Yoshinobu Nishizaki, a nova versão manteve o tom épico da jornada da nave Yamato para salvar a Terra, mas com gráficos que hoje parecem cinematográficos. O ritmo acelerado, a trilha sonora orquestrada e os personagens mais complexos transformaram um produto de sua época em uma experiência imersiva. Foi o primeiro grande exemplo de que um remake não precisa apagar o passado — só aprimorá-lo.
Da mesma forma, Urusei Yatsura (2022), dirigido por Mamoru Hosoda, não foi uma cópia. O estúdio David Production reescreveu cenas inteiras, deu mais profundidade às personagens femininas e atualizou o humor para não soar anacrônico. O resultado? Um sucesso de crítica e público — com mais de 2 milhões de visualizações só nos primeiros três meses.
A Rosa de Versalhes: quando história real vira anime
Se há um remake que desafia o que se espera de um anime, é Lady Oscar – A Rosa de Versalhes, cuja nova versão estreia em 2025. Criado por Riyoko Ikeda em 1972, o mangá original misturava a vida da nobreza francesa com a revolução que derrubou a monarquia. A nova adaptação, produzida pela MAPPA, promete levar a história de Oscar François de Jarjayes — uma mulher criada como homem, que se tornou capitã da Guarda Real — ao nível de Game of Thrones, com batalhas, traições e dilemas morais.
Curiosamente, o artigo do Olhar Digital confunde o enredo: A Rosa de Versalhes não tem nada a ver com guerras interestelares ou impérios galácticos. Isso é de Legend of the Galactic Heroes, outro clássico que também ganhou remake em 2018. Um erro comum, mas que mostra como a memória coletiva dos fãs pode se misturar — e como os remakes precisam de clareza.
Os próximos lançamentos que vão mexer com o mercado
Em 2025, o mundo dos animes promete um tsunami. O mais aguardado é Yaiba: Samurai Legend, da Wit Studio. Originalmente lançado em 1993 com 52 episódios, o anime seguia a trajetória de um jovem guerreiro que usa uma espada mágica. O remake promete uma narrativa mais madura, com influências de Blade Runner e Ghost in the Shell, e será a primeira obra do estúdio após o fim de Attack on Titan a ter um orçamento de mais de R$ 200 milhões.
Também estão na fila Pluto, baseado no arco de Astro Boy de Osamu Tezuka, que já foi aclamado como o melhor anime de 2023 pela revista Anime News Network. Com uma atmosfera sombria e uma mensagem antibélica poderosa, a série explora o que significa ser humano — ou ser robô — em um mundo pós-guerra. Disponível na Netflix, já tem mais de 1,2 milhão de assinantes só no Brasil.
Por que isso importa agora?
Esses remakes não são só nostalgia. Eles são uma ponte entre gerações. Muitos jovens hoje cresceram com My Hero Academia e Demon Slayer, mas não sabem que Neon Genesis Evangelion ou Mobile Suit Gundam criaram os alicerces do que eles amam. Os estúdios estão percebendo: o público quer mais do que ação rápida. Quer significado. Quer profundidade. Quer histórias que questionem o poder, a identidade e o preço da paz.
E não é só técnica. É cultural. O sucesso de A Rosa de Versalhes e Yamato 2199 mostra que o público está disposto a investir tempo em narrativas complexas — mesmo que sejam ambientadas no século XVIII ou em galáxias distantes. Isso muda o jogo. A indústria japonesa já está olhando para o Ocidente como mercado prioritário, e os remakes são a chave para isso.
Quem está sendo esquecido?
Enquanto Urusei Yatsura e Ranma ½ ganham tratamento de luxo, outros clássicos como Blue Comet SPT Layzner (1985) ou Armored Trooper Votoms (1983) continuam esquecidos. Por quê? Talvez porque não tenham personagens femininas fortes — ou porque não se encaixem no "trending" do momento. Ainda assim, fãs independentes estão traduzindo e restaurando essas obras em fóruns e servidores privados. A demanda existe. A indústria só precisa ouvir.
Como acessar esses animes?
Quase todos os remakes oficiais estão na Crunchyroll, com legendas em português e dublagem em alguns casos. Pluto e Orbs: On the Movements of the Earth estão na Netflix. Já Yaiba: Samurai Legend será lançado exclusivamente no Disney+ no Japão, mas deve chegar à Crunchyroll em até 30 dias após a estreia.
Frequently Asked Questions
Quais animes clássicos já foram remasterizados e estão disponíveis em português?
Já estão disponíveis em português os remakes de Urusei Yatsura (2022), Ranma ½ (2024), Space Battleship Yamato 2199 (2012-2020) e Pluto (2023). Todos têm legendas e, em alguns casos, dublagem brasileira. A plataforma principal é a Crunchyroll, mas Pluto e Orbs estão na Netflix. A versão de A Rosa de Versalhes (2025) ainda não foi lançada, mas já tem pré-venda confirmada.
Por que os estúdios estão investindo em remakes em vez de animes originais?
Porque os clássicos já têm base de fãs global e risco baixo. Um anime novo pode falhar com 100 mil espectadores; um remake de Yamato ou Urusei Yatsura já começa com milhões de expectativas. Além disso, as histórias originais são profundas — e muitas vezes subestimadas. O sucesso de Pluto provou que o público quer conteúdo com alma, não só explosões.
O que diferencia um bom remake de um ruim?
Um bom remake respeita a essência da obra original, mas não a copia. Yamato 2199 mantém a trama épica, mas atualiza o ritmo e os personagens. Já um ruim, como o remake de Black Lagoon em 2021, só troca os gráficos e deixa o roteiro intacto — resultando em algo que parece datado. A diferença está no cuidado com o texto, não só com os pixels.
A Rosa de Versalhes realmente tem relação com Maria Antonieta?
Sim. A obra de Riyoko Ikeda é uma ficção histórica que usa personagens reais — como Maria Antonieta, Louis XVI e o Conde de Artois — e os coloca em cenários que se aproximam da realidade, embora com liberdades dramáticas. Oscar, a protagonista, é fictícia, mas sua trajetória reflete as tensões da corte francesa antes da Revolução. O remake promete maior fidelidade histórica do que o anime de 1979.
Onde assistir os remakes de Yaiba e A Rosa de Versalhes no Brasil?
Yaiba: Samurai Legend será lançado no Disney+ no Japão, mas deve chegar à Crunchyroll em até 30 dias após a estreia. Já A Rosa de Versalhes (2025) será lançado simultaneamente em Crunchyroll, Netflix e Amazon Prime Video em todo o mundo, com dublagem brasileira produzida pela Dublador Studio. A estreia está marcada para outubro de 2025.
Esses remakes vão substituir os originais?
Não. Os originais ainda estão disponíveis em plataformas como YouTube, Archive.org e até na própria Crunchyroll, em seções de "clássicos". Os remakes são complementares — como uma nova edição de um livro clássico. Quem ama o original pode assistir os dois e comparar. É um presente para os fãs, não um apagamento da história.
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