Lula lidera pesquisas de 2026 com 40% das intenções de voto; Tarcísio é único oponente competitivo

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Lula lidera pesquisas de 2026 com 40% das intenções de voto; Tarcísio é único oponente competitivo
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Em um retrato claro e inédito do cenário eleitoral brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva aparece como favorito absoluto nas pesquisas de intenção de voto para a presidência em 2026. A Quaest, em parceria com a Genial, divulgou na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, os primeiros dados abrangentes do ano — baseados em entrevistas realizadas entre 8 e 11 de janeiro com 2.004 eleitores em 120 municípios. O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00835/2026, tem margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. E o que se vê? Lula lidera em todos os cenários. Não só lidera: domina.

Lula em alta, oposição fragmentada

Nos cenários de primeiro turno com três principais candidatos, Lula alcança 39% das intenções de voto. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e candidato do Republicanos, aparece em segundo com 27%. Ronaldo Caiado, do União Brasil, fica em terceiro com apenas 5%. Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo (DC) somam 4% e 3%, respectivamente. Mas o que chama atenção não é só o número de Lula — é o vácuo à sua volta. Oito por cento estão indecisos. Outros 14% dizem que votarão em branco, nulo ou não votarão. Isso não é apatia. É desesperança. Ou, pior, é o reconhecimento de que o jogo já está decidido antes mesmo de começar.

Quando Bolsonaro entra na cena, o cenário muda — mas não o resultado

Quando Flávio Bolsonaro, do PL, entra no jogo — e outros nomes são retirados — Lula sobe para 40%. Flávio fica em 23%. Tarcísio despenca para 14%. E os demais caem para 2%. Isso não é coincidência. É sinal. O bolsonarismo, mesmo sem Jair Bolsonaro, ainda tem força — mas só com Flávio como porta-voz. E mesmo assim, ele não chega perto de Lula. Em outros cenários, Flávio oscila entre 23% e 31%, mas nunca ultrapassa a metade do apoio do ex-presidente. E isso é crucial: nenhum outro nome, seja de direita, centro ou esquerda, supera 7% em qualquer cenário testado. A oposição está dividida. Fragmentada. Desorganizada.

Segundo turno: Lula vence, mas Tarcísio assusta

No segundo turno, a vantagem de Lula se amplia — mas com uma exceção que pode mudar tudo. Contra Ronaldo Caiado, ele vence por 44% a 33%. Contra Romeu Zema, do Novo, vence por 46% a 31%. Mas quando enfrenta Tarcísio de Freitas, os números se aproximam. Na pesquisa do Meio/Ideia, que entrevistou 2.000 eleitores entre 8 e 12 de janeiro, Lula tem 44,4% e Tarcísio 42,1%. Uma diferença de apenas 2,3 pontos — dentro da margem de erro. É um empate técnico. E isso é o que mais preocupa o PT. Porque, apesar de Lula vencer em todos os cenários, Tarcísio é o único que consegue manter o jogo vivo. Ele não é o mais popular. Mas é o mais organizado. O mais capaz de unir setores da direita.

“A direita só tem um candidato competitivo: Tarcísio”

“A direita só tem um candidato competitivo: Tarcísio”

Pedro Doria, diretor de jornalismo do Meio/Ideia, foi direto: “O primeiro retrato que tiramos deste ano eleitoral mostra que a direita só tem um candidato competitivo: Tarcísio de Freitas. Aquele que o bolsonarismo escanteou.” É uma frase que ecoa. Porque Tarcísio não é um herdeiro do bolsonarismo. É um outsider que conquistou espaço. Ele não tem o nome de Bolsonaro, mas tem a máquina, a estrutura, o apoio de governadores e empresários. E, mais importante: ele não está preso à polarização. Enquanto Flávio vive da retórica de 2022, Tarcísio fala de gestão, segurança e economia. Ele não precisa ser o “novo Bolsonaro”. Ele só precisa ser melhor que Lula — e isso, para muitos, ainda é possível.

Cila Schulman, CEO da Ideia, acrescenta: “A pesquisa, por meio da pergunta espontânea de intenção de voto, revela que, no imaginário coletivo da opinião pública, a eleição ainda é essencialmente entre Lula e Bolsonaro. Os outros pré-candidatos precisam se apresentar ao país.” E aqui está o cerne da crise da oposição: ninguém se apresentou. Ninguém construiu uma narrativa própria. Todos estão tentando ser o “anti-Lula” — e esqueceram de ser alguém.

Por que isso importa para o Brasil?

Esses dados não são apenas números. São sinais de um país dividido, mas não igualmente. Lula tem um núcleo duro: 91% dos “lulistas” juram que votarão nele. Já entre os “não-lulistas da esquerda”, 73% ainda o apoiam. Isso significa que ele não depende só de seus fiéis. Ele é a referência de toda a esquerda. Enquanto isso, na direita, Flávio Bolsonaro tem 77% do voto bolsonarista — mas o bolsonarismo não é mais o que era. Ele perdeu espaço. E Tarcísio, apesar de ter apenas 16% entre os bolsonaristas, é o candidato que mais atrai independentes: 15% contra 9% de Flávio. Ele é o candidato da ordem, não da revolta. E isso pode ser fatal para Lula em 2026.

Se Lula conseguir se manter acima de 40% até outubro, ele vence. Mas se Tarcísio conseguir unir a direita — e se o PT errar na campanha, se esquecer dos jovens, se não resolver a inflação — o segundo turno pode virar um pesadelo. Afinal, 19% dos eleitores dizem que não votarão ou votarão em branco/nulo. Isso é mais do que o que separa Lula de Tarcísio. É o risco de uma eleição que não decide nada.

Quem está fora da briga — e por quê?

Quem está fora da briga — e por quê?

Ronaldo Caiado? 5%. Renan Santos? 4%. Aldo Rebelo? 3%. Michelle Bolsonaro? Só aparece em cenários específicos do Meio/Ideia, e mesmo assim, Lula vence por 10 pontos. Romeu Zema? Só em segundo turno. Nenhum deles tem estrutura, mídia, ou apoio nacional. Eles não são candidatos. São testes de balão. Tentativas de ocupar espaço. Mas o eleitor brasileiro, por enquanto, não os vê como alternativas. Ele vê Lula. E vê Tarcísio. E o resto? O resto é ruído.

Quais são os próximos passos?

Agora, os partidos têm um ano e meio para se organizar. O PT precisa evitar a complacência. Tarcísio precisa unificar a direita — e mostrar que pode governar além de São Paulo. Flávio Bolsonaro precisa decidir: vai ser o candidato da raiva ou o candidato da governabilidade? E os outros? Ou se apresentam, ou desaparecem. A eleição de 2026 não será decidida nas ruas. Será decidida nas redes, nos debates, nos programas de governo. E, mais do que tudo, na capacidade de alguém — além de Lula — convencer o eleitor de que existe outra opção.

Frequently Asked Questions

Por que Tarcísio de Freitas é o único oponente competitivo de Lula?

Tarcísio é o único candidato da direita com estrutura de governo, apoio de governadores e capacidade de atrair eleitores independentes. Enquanto Flávio Bolsonaro vive do passado, Tarcísio fala de gestão e segurança — temas que ressoam em eleitores que querem estabilidade, não revanche. Sua aprovação em São Paulo e sua organização partidária o tornam o único que pode desafiar Lula em um segundo turno.

O que significa o alto índice de votos em branco, nulo ou abstenção?

Esses 14% a 19% de eleitores que não votam ou votam nulo indicam desilusão com a política. Muitos veem Lula como o “menos pior”, não como a escolha ideal. Se a economia não melhorar e a polarização persistir, esse grupo pode crescer — e, em um segundo turno apertado, decidir a eleição por omissão.

Por que Flávio Bolsonaro não consegue superar 31% mesmo sendo o herdeiro de Jair Bolsonaro?

Flávio representa o bolsonarismo mais radical, sem proposta de governo. Enquanto Lula oferece estabilidade e Tarcísio, gestão, Flávio vive do passado. Ele não atrai independentes, nem moderados. Seu eleitorado é fiel, mas limitado. Sem a figura de Jair, ele perde força. E o eleitor brasileiro, mesmo de direita, está cansado da retórica de confronto.

O que a pesquisa revela sobre o futuro da esquerda no Brasil?

A esquerda está unida em torno de Lula. Mesmo os eleitores que não são “lulistas” o veem como a referência. Isso mostra que o PT ainda é o núcleo da esquerda brasileira. Mas também revela um risco: se Lula falhar em 2026, a esquerda pode entrar em colapso — pois não há nenhum nome emergente capaz de ocupar seu lugar.

A pesquisa do Meio/Ideia confirma os dados da Quaest?

Sim. Ambas as pesquisas, com metodologias semelhantes e registro no TSE, apontam para os mesmos padrões: Lula lidera com 39-40%, Tarcísio é o único oponente com chance real, e os demais candidatos estão abaixo de 7%. A diferença mínima entre Lula e Tarcísio no segundo turno (44,4% a 42,1%) foi registrada apenas pelo Meio/Ideia, mas é consistente com o padrão geral.

Quem pode emergir como ameaça real a Lula até 2026?

Nenhum nome atual tem condições. Mas se Tarcísio perder apoio, ou se um candidato de centro, como Simone Tebet ou Ciro Gomes, se unir à oposição, o jogo muda. O problema é que, até agora, ninguém se moveu. A eleição de 2026 ainda é uma luta entre dois fantasmas: Lula e Bolsonaro — mesmo quando o ex-presidente não está na disputa.