Quando Fátima Bosch, de 23 anos, foi coroada Miss Universo 2025 na noite de 21 de novembro, o silêncio da plateia no Impact Arena foi superado pelo estrondo das redes sociais. A vencedora, representante do México, enfrentou uma onda de críticas quase imediata — e massiva — de espectadores que juravam que a verdadeira vencedora era Olivia Yacé, de 24 anos, da Costa do Marfim. O evento, transmitido ao vivo para 185 milhões de pessoas em 190 países, terminou em caos digital. E o pior? Fátima havia se retirado da competição em novembro, antes de voltar surpreendentemente. Ninguém sabia por quê. E agora, ninguém acredita no resultado.
Um título que não foi conquistado — foi imputado
A cerimônia, realizada às 20h UTC no Impact Arena em Pak Kret, Tailândia, foi a quarta vez que o país sediou o concurso (1992, 2005, 2018 e agora 2025). A produção ficou sob a responsabilidade da Miss Universe Organization, sediada em Nova York, com executivos como Anne Jakrajutatip e R'Bonney Gabriel supervisionando os bastidores. Mas o que deveria ser um momento de celebração virou um julgamento coletivo. Nas redes, o que mais se viu foram vídeos da final: Fátima, com passarela rígida e resposta à pergunta final considerada evasiva. Enquanto isso, Olivia, com postura natural, olhar firme e resposta emocional sobre igualdade de gênero na África Ocidental, parecia ter sido esquecida pela banca.“A coroa continua caindo porque é de outra pessoa! Costa do Marfim é a verdadeira Miss Universo 2025”, escreveu um usuário no Twitter. Outro, mais direto: “Pior passarela, pior resposta... Miss Universo 2025 é a Costa do Marfim!”. Em menos de 12 horas, mais de 127 mil posts em português e espanhol circularam. O assunto bateu 3,2 milhões de menções — quase o dobro da polêmica de 2024, quando a dinamarquesa Victoria Kjær Theilvig também foi alvo de suspeitas de julgamento enviesado.
Os brasileiros que não venceram, mas ganharam respeito
Enquanto o mundo discutia o título, Natália Guimarães, coordenadora do Miss Universo Brasil desde 21 de setembro, fez um discurso que ecoou com mais sinceridade do que qualquer coroa. Ela elogiou Maria Gabriela Lacerda, de 22 anos, de Teresina, Piauí, com lágrimas na voz: “Preciso dizer que tenho muito orgulho da Gabi. Nós ficamos próximas em todos os detalhes nesses últimos meses. Foram poucos meses, eu cheguei há dois meses na coordenação... mas foram muito intensos.”Guimarães mencionou a mãe da candidata, Silvinha, que esteve ao lado dela em cada evento. “A gente ali acompanhando mesmo em tempo real. E a gente viu a dedicação dela.” O discurso foi um contraponto à polêmica: não se tratava de quem ganhou, mas de quem se esforçou. Maria Gabriela não ficou entre as cinco finalistas, mas sua jornada foi a mais humana da noite — e talvez, a mais verdadeira.
Por que a retirada de Fátima Bosch gerou tanta desconfiança?
O fato de Fátima ter se retirado da competição no início de novembro — e depois voltar — foi o gatilho que acendeu a desconfiança. Nenhum comunicado oficial da organização explicou o motivo. Nenhuma entrevista, nenhuma justificativa. Apenas um tweet da conta oficial do Miss Universo, em 8 de novembro, dizendo apenas: “Fátima Bosch retornará à competição”. Nada mais. Os fãs mexicanos, claro, defendem a jovem. Um perfil verificado escreveu: “Mais do que uma coroa, Fátima nos deu uma mensagem de força, caráter e valentia. Muitas mexicanas nos vimos refletidas em você.” Mas isso não apaga o fato de que a transparência foi substituída por silêncio.Na Tailândia, onde o concurso foi transmitido com grande cobertura midiática, jornalistas locais relataram que a banca de jurados — composta por 15 membros, incluindo celebridades, empresários e ex-Miss Universo — foi vista como “muito fechada”. Um repórter da TV5 Monde disse: “Nunca vi tanta pressão sobre os jurados. Parecia que alguém já tinha decidido antes da final.”
As consequências que virão — e o que ainda não foi dito
A Miss Universe Organization ainda não emitiu qualquer declaração oficial até 22 de novembro, às 16h UTC. Mas as pressões crescem. Natália Guimarães já avisou: “Essas controvérsias afetam a credibilidade do concurso a nível global.” E não é só ela. Diretores de países como Brasil, Nigéria, Índia e Colômbia já estariam em contato para exigir reformas no sistema de votação. A ideia? Eliminar o voto dos jurados e adotar um sistema misto, com 50% do resultado baseado em votos públicos via app — algo que já funciona em concursos como Miss World.Enquanto isso, no México, a campanha #OrgulhoMexicano já tem mais de 42 mil participantes. Fátima foi inundada de mensagens de apoio, mas também de perguntas: “Por que voltou? O que aconteceu?” A própria jovem não falou com a imprensa. Nenhuma entrevista. Nenhum vídeo. Só a coroa. E isso, para muitos, é o suficiente para tornar o título vazio.
Um concurso que perdeu sua alma
A Miss Universo já passou por crises antes. Em 1996, quando a vencedora foi descoroada por mentir sobre sua idade. Em 2012, quando o júri foi acusado de favorecer a vencedora por motivos políticos. Mas nunca antes uma vitória foi tão claramente desafiada por uma maioria absoluta dos espectadores — e por um histórico de opacidade.Esse ano, a competição foi também palco da pré-estreia da série de realidade Miss Universe Latina, o reality, produzida pela Telemundo e apresentada por Jacqueline Bracamontes. O timing foi péssimo. Enquanto o público buscava autenticidade, a TV oferecia entretenimento artificial. A contradição foi cruel.
Se a organização não agir rápido, a próxima edição pode não ter mais público. Não por falta de candidatas — há 117 inscritas já confirmadas para 2026 — mas por falta de confiança. Porque quando a coroa não é merecida, ela não é coroa. É apenas um objeto.
Frequently Asked Questions
Por que Fátima Bosch foi considerada injusta vencedora?
Muitos espectadores alegam que ela teve a pior passarela e a pior resposta da final, enquanto Olivia Yacé, da Costa do Marfim, demonstrou carisma, clareza e emoção. Além disso, Fátima havia se retirado da competição em novembro, sem explicação, o que gerou desconfiança sobre sua elegibilidade e integridade. A ausência de transparência da organização amplificou essas suspeitas.
Quem é Olivia Yacé e por que ela é tão popular entre os fãs?
Olivia Yacé, de 24 anos, representa a Costa do Marfim e foi aclamada por sua postura natural, linguagem corporal elegante e resposta à pergunta final sobre justiça social na África. Seu discurso sobre empoderamento feminino em países em desenvolvimento emocionou telespectadores e críticos. Nas redes, ela é vista como a verdadeira representante dos valores que o concurso deveria celebrar — autenticidade, coragem e propósito.
A Miss Universo Organization vai responder à polêmica?
Até 22 de novembro, a organização não emitiu qualquer declaração oficial. Isso contrasta com anos anteriores, quando reagiam rapidamente a críticas. Especialistas acreditam que o silêncio pode ser estratégico — mas também perigoso. Se não houver transparência até 25 de novembro, pressões de países participantes e plataformas de mídia social podem forçar uma reforma no sistema de votação.
Como a vitória de Fátima Bosch afeta o Brasil?
Embora a brasileira Maria Gabriela Lacerda não tenha entrado no top 5, sua jornada foi celebrada pela nova coordenadora do Miss Brasil, Natália Guimarães, que destacou sua dedicação e humildade. Isso trouxe um contraponto positivo à polêmica. No entanto, o clima geral de desconfiança no concurso pode afetar o interesse de patrocinadores e o engajamento das futuras candidatas brasileiras, especialmente se a organização não reformar seu sistema de julgamento.
Qual é o próximo passo para o Miss Universo?
Fontes internas indicam que diretores de pelo menos sete países já pedem a adoção de um sistema misto de votação, com 50% do resultado decidido por votação pública via app. A ideia é reduzir o poder da banca de jurados — que, neste ano, foi acusada de ser opaca e influenciada. A próxima edição, em 2026, pode ser a primeira a testar essa mudança. Se falhar, o concurso corre o risco de perder relevância cultural.
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